sexta-feira, 6 de julho de 2012

O SILÊNCIO



Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.


EUGÉNIO DE ANDRADE, in OBSCURO DOMÍNIO (1971) & POESIA (Modo de Ler, 2011)

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