segunda-feira, 25 de março de 2013
V
Eu venho do sonho e fujo da vida.
Errei no caminho para a paz prometida.
Só sei que me chama um canto de mar.
E a nau dos sonhos no céu a varar.
Ó meu capitão da barca perdida
A errar entre o sonho e o engano da vida!
NATÁLIA CORREIA, in RIO DE NÚVENS (1947), in POESIA COMPLETA - O SOL NAS NOITES E O LUAR NOS DIAS (Dom Quixote, 2007)
sábado, 23 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
QUARTO DE LUA
Disseste-me um segredo baixinho
Envolveste-me em noites de luar amigo
Num odor de palavra jasmim
Em convites de seda doce
Em sorrisos de cantos (e)ternos
Em maresias de noites simples
Em estendais de poesia livre
Em flor constante… que partes
Na chegada próxima…
Onde desespero
E já te aguardo!
JOSÉ LUÍS OUTONO, in MAR DE SENTIDOS (Edições Vieira da Silva, 2012)
quarta-feira, 13 de março de 2013
SONETO DO ESCURO
Amor, tenho saudades de outra vida
feita só de mil dias transparentes:
Não te esqueças de mim se vires perdida
esta voz nas palavras mais ausentes.
Porque é perto da morte que escrevemos,
cada verso contém uma ameaça:
e a ternura maior que nos dizemos
é feita de penumbra fria e baça.
Se a voz se dá no verso e na medida
é medo, meu amor, mais que vontade:
o verso nada pode contra a vida;
sabê-lo é a nossa liberdade.
É medo que nos versos esconjuro,
como riso vibrando no escuro!~
LUIS FILIPE CASTRO MENDES, in OS AMANTES OBSCUROS, in POESIA REUNIDA (Quetzal, 1999)
terça-feira, 12 de março de 2013
POEMA OCTOGÉSIMO
Frágeis como os ossos de um cristal,
os meus pensamentos aninham-se na noite
para construir o poema. A minha dor branca prefere
a luz que prenuncia a madrugada, luz bailarina
que me ilumina a pele molhada de alegria
sempre que faço em ti o trabalho doce da abelha
e me deito sobre o teu corpo para provar da vida
o melhor de todos os néctares, o mais completo
dos versos que o teu sangue me dá. Continuo
a escrever-te com o corpo. Quero ganhar
o nobel da ternura.
JOAQUIM PESSOA, in GUARDAR O FOGO (a publicar em 2013)
[com Texto introdutório das Prof. Maria da Conceição Andrade e Maria Fernanda Navarro da Universidade do Algarve]
[com Texto introdutório das Prof. Maria da Conceição Andrade e Maria Fernanda Navarro da Universidade do Algarve]
quinta-feira, 7 de março de 2013
Se é assim que desejas
Se é assim que desejas,
se for assim do teu gosto,
cessarei de cantar!
Se com isso agitar
teu coração,
do meu olhar o triste brilho
desviarei do teu rosto...
E se eu, de súbito, te assustar
no teu passeio despreocupado,
afastar-me-ei do teu lado
e tomarei outro brilho...
Se eu te embaraçar - ai de mim -
quando teceres as tuas flores,
flor encantada,
esquivar-me-ei do teu
solitário jardim
e da tua doce imagem...
E se eu tornar a água turva
e agitada,
jamais remarei a minha barca
para a tua margem...
Rabindranath Tagore (1861-1941)
quarta-feira, 6 de março de 2013
OS SILÊNCIOS
Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo
Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo
Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo
Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo
MARIA TERESA HORTA, in SÓ DE AMOR (Quetzal Editores, 1999)
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